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Ibogaína: A farmacologia que pode por um fim ao alcoolismo

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Ibogaína

A ibogaína, princípio ativo encontrado na Iboga, tem denominação química é 12-metoxibogamina. Pesquisas feitas em humanos e animais indicam que esta substância age em dois sentidos, por um lado age na química cerebral, estimulando a produção da proteína GDNF, que promove a regeneração do tecido nervoso e estimula a criação de conexões neuronais em certas condições fisiológicas específicas. Isso permite que áreas do cérebro relacionadas com a dependência química sejam reparadas e estimuladas a produzir neurotransmissores responsáveis pela produção do prazer; a serotonina e a dopamina. São essas substâncias que podem explicar o desaparecimento da “fissura” pela droga relatada por dependentes logo após  uma sessão.

Estudos preliminares também mostram que a ibogaína pode ajudar no tratamento do alcoolismo. Durante a pesquisa, ratos e camundongos foram induzidos ao consumo de álcool em doses diárias até habituarem-se à bebida. Os testes com Ibogaína demonstraram uma queda efetiva no consumo de álcool pelos roedores, diretamente relacionado ao aumento da produção da proteína GDNF.

Seu principal alcaloide e ingrediente é ibogaína, que é extraída da casca da raiz e representa 90% dos alcaloides encontrados na Tabernanthe Iboga (a planta em si). De acordo com o italiano Antônio Bianchi, médico e toxicólogo em produtos naturais, a ibogaína “age sobre uma quantidade incrível de receptores neuronais. Sua característica fundamental é sua ação sobre a NMDA(N-metil-D-aspartarte). Estes receptores estão presentes, sobretudo em duas áreas: o hipocampo, que controla as memórias e recordações, e a sensibilidade proprioceptiva, parte responsável pelas sensações que temos do nosso corpo físico.”. Se estes receptores são bloqueados a pessoa constrói uma imagem do “eu”’ que não está relacionada com o “eu físico”, isto é, está fora do corpo. Este seria o mecanismo neurofisiológico da “Viagem Astral”, o ponto de encontro entre a teoria nativa e a científica. (Labate, 2001).

Apesar dos relatos de sucesso, o consumo no Brasil ainda é bastante controverso. Em setembro deste ano, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) finalizaram o primeiro levantamento nacional sobre a ibogaína. Foram selecionados 75 dependentesquímicos, entre usuários de crack, cocaína, maconha e álcool.

Todos tomaram uma ou mais doses do remédio. O resultado foi animador: 61% dos voluntários largaram a droga — nos tratamentos tradicionais, esse número despenca para 30%. “Pelo que observamos, a ibogaína é hoje a melhor opção contra o vício”, diz o médico Bruno Rasmussen Chaves, um dos autores do estudo.

De acordo com a psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas, trabalhos como esse precisam ser encarados com reserva, pois estão longe de ser conclusivos. Segundo ela, ainda se sabe muito pouco sobre a substância e não é possível fazer alegações sobre sua eficácia. “São necessários anos de pesquisas para confirmar os dados, mesmo que as primeiras evidências apontem para resultados positivos”, afirma.

Um dos centros mais conhecidos que oferecem o serviço aqui no Brasil é o Instituto Brasileiro de Terapias Alternativas (IBTA), em Paulínia, a 119 quilômetros da capital de São Paulo. Um terço de seus pacientes é formado por paulistanos. Ali, o tratamento de desintoxicação custa 7 200 reais e dura cinco dias. Nesse período, são ministradas cinco doses e sessões de terapia. Segundo a diretoria da clínica, a taxa de sucesso é de 70%. “Não estocamos o produto, tudo é importado sob medida para o paciente”, explica o terapeuta Rogério de Souza, um dos responsáveis pelo local. O comerciante Rodrigo Januário Simões, de 36 anos, passou por lá em 2012. Ele bateu às portas do IBTA para tentar livrar-se do vício de uma década em cocaína.

Por enquanto o composto bem como os saberes sobre o poder de cura da Iboga são mistérios ainda não aprofundados, e somente uma minoria consegue ter acesso a medicina (seja por meios religiosos ou grandes quantias de dinheiro). Isto nos mostra que, o interesse de pesquisadores da área da saúde em especificar e amostrar esse composto pode trazer a nossa sociedade a cura para diversos males.

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