Redução de Danos

Vaporização: um guia prático

vaporização

Entenda mais sobre a química por trás da vaporização de drogas e seus pontos positivos e negativos.

Um guia para quem deseja iniciar na vaporização.

Quem vem acompanhando minhas matérias, já está ligado que eu comento muito sobre o GDS 2017 (Global Drug Survey ou Pesquisa Global sobre Drogas), este estudo super completo que sempre dá informações precisas e atualizadíssimas sobre utilização de drogas ilegais. Além dos dados que apresenta, o fundador, Dr. Adam R Winstock, também escreve artigos sobre diversos braços do assunto, como, por exemplo, um guia sobre vaping, palavra que, traduzida do inglês, refere-se à vaporização de substâncias. Estas informações estão traduzidas e adaptadas no artigo abaixo, junto com demais fontes acadêmicas sobre o assunto.

O que significa dizer que uma droga é passível de ser vaporizada?

Vaporizar algo significa criar vapor através do aquecimento de uma substância. Às vezes, esse vapor pode ser a droga na sua forma gasosa ou pode ser uma suspensão de partículas líquidas no ar à medida que esfriam após a evaporação. O efeito é o mesmo: permite que as moléculas de drogas sejam inaladas para que elas possam ser absorvidas pela área dos pulmões diretamente no sangue, ignorando o sistema digestivo. As drogas usadas dessa forma, assim como o tabagismo, atingem seu cérebro em cerca de 5 segundos (o que é quase tão rápido quanto injetar).Inicialmente, a motivação para vaporizar foi, em parte, uma questão de saúde pública (cigarros eletrônicos) ou saúde individual (por exemplo, oferecer aos pacientes que usam cannabis medicinal uma forma de consumir que não envolva fumar). A vaporização parece ter potencial para oferecer a todos os consumidores a possibilidade de diminuir os riscos do seu consumo.giphy - Vaporização: um guia prático

Qual é o processo químico?

Para ser vaporizada, uma droga precisa ser estável o suficiente para evaporar antes de reagir com oxigênio à sua volta. Isso significa que um ponto de ebulição inferior é benéfico, de modo que as moléculas menores tendem a evaporar mais facilmente do que as maiores.  A metanfetamina é um exemplo deste processo — é uma molécula relativamente pequena e que se evapora facilmente, tornando-a uma substância com características para vaporizar. Obviamente, a vaporização não torna seu uso seguro. As propriedades de uma substância e os riscos físicos ou psicológicos não se alteram com a forma de consumo.O que pode mudar são os riscos associados à via de consumo: injetar tem mais riscos que fumar e fumar mais riscos que vaporizar. Muitas substâncias, na sua forma mais comum, não estão prontas para serem utilizadas em vaporizadores. Isto porque a maioria das substâncias apresenta-se na forma de um sal (cristais) e quando estão desta forma tendem a ser mais difíceis de evaporar, tendo um ponto de ebulição mais elevado por conta das  apertadas estruturas de cristal que tornam as moléculas mais fortemente conectadas. Para poderem ser fumados, os sais têm de passar por um processo que os torne solúveis em água através de uma misturada com álcalis (base para dissolver em água) para criar as chamadas bases livres (por exemplo, quando cloridrato de cocaína reage com bases, é convertido em cocaína pura, também chamada base livre).Cocaína, DMT ou heroína são exemplo de substâncias onde muitas vezes o sal é convertido numa base livre de maneira a poder ser evaporado sem queimar. Dissolver as substâncias num líquido ajuda a separar as moléculas antes de serem aquecidas, tornando mais fácil a sua vaporização.

giphy - Vaporização: um guia prático

Qual a diferença entre vaporizar, fumar e cheirar cola ou poppers (nitrito de amilo)?

A ciência essencialmente é a mesma: aquecer uma droga para evaporar as moléculas para que possam ser inaladas. A diferença está nos detalhes. Fumar usa combustão (a reação de oxigênio e material oxidável) para gerar calor e evaporar moléculas. As temperaturas envolvidas tendem a ser muito altas e muitas vezes significam que parte da droga reage com o oxigênio, destruindo-a e criando compostos prejudiciais.Poppers e cola também dependem de evaporação para serem inalados, mas esses compostos têm um ponto de ebulição tão baixo que não precisam de calor para evaporar – são voláteis o suficiente para criar vapor na temperatura ambiente. Claro, poppers e solventes são duas classes separadas de drogas que têm seus próprios danos não relacionados ao fato de serem inalados como vapores.

Quais drogas podem ser vaporizadas?

A grande maioria das substâncias, passando por transformações químicas, podem ser vaporizadas, mas isso não significa que seja uma boa ideia. Algumas substâncias requerem doses elevadas para produzirem efeito; outras provocam tosse e dificuldade em respirar; em outras, as moléculas são muito grandes para evaporar de uma só vez, o que as levaria provavelmente a perder todos os efeitos, como é o caso do LSD.

Vaporização torna o uso de drogas mais seguro?

Ao vaporizar, os efeitos da substância são quase imediatos. Isto pode ser negativo à medida em que o cérebro faz uma associação imediata entre ação e recompensa, aumentando o potencial aditivo das substâncias. Mas tem também um lado positivo. Ao sentir os efeitos rapidamente, o consumidor consegue perceber logo a dimensão do que está sentindo, não tendo a necessidade de usar outra dose enquanto espera pelos efeitos.A matéria original você pode conferir aqui.

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