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Literatura

Revolta, álcool e cigarros. O retorno da literatura marginal! Conheça: Eric Moreira.

eric - Revolta, álcool e cigarros. O retorno da literatura marginal! Conheça: Eric Moreira.

 

Os cigarros, garrafas de conhaque e romances não fazem parte apenas da obra ficcional de Eric Moreira. Elas são sua vida.

Se passaram pouco mais de dois anos desde o lançamento de O último Blues em San Pedro, pela editora Multifoco. Este foi o primeiro livro do escritor e cineasta Eric Moreira.

O Sol bate forte em seu rosto enquanto caminha da baia dos cavalos até a casa e me convida para sentar na varanda do sítio em que vive na pequena vila de Chapéu D’uvas, distrito da cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. Com vinte e quatro invernos de vida o escritor explana com a clareza e vivência de um brasileiro de meia idade.

Calças sujas de terra e camisa azul marinho, aberta até o umbigo como de costume. Ele coça sua barba no ponto bem abaixo do pescoço, no que parece um sinal de reflexão, quando começamos a conversar, e beber. Enquanto nos abre uma cerveja, fica claro para mim que seu dia a dia é árduo, seja no trabalho da terra baixo ao Céu ou das palavras pouco acima do Inferno.

O diretor de Antônio das Almas, – curta metragem que será lançado no próximo semestre – além da literatura e do cinema ostenta com tesão a flâmula revolucionária e o amor as histórias das grandes revoluções e lutas democráticas pelo mundo. Sobretudo a Revolução Cubana e a Guerra-Civil Espanhola. A partir de suas inclinações estéticas, artísticas e políticas o leitor ou espectador não terá muita dificuldade em perceber suas grandes inspirações, como Hemingway, Burroughs, Vinicius de Moraes, Pedro Juan Gutierrez e Roberto Piva entre outros nomes. Eric não poupa socos, nem artísticos nem políticos e ascendendo um cigarro reflete: “Tanto os artistas quanto os militantes da nossa geração são frouxos. O nosso empenho histórico de revolução social ou estética virou um grande montante de disputa por status artístico ou político” e se compara a outro ídolo, o cineasta Pier Paolo Pasolini ao dizer que “tenho que lembrar a um grupo de garotos que eles continuam sendo burgueses, e que ideologicamente não passam de liberais tentando ser comunistas.”          

            Capitão, como é chamado por amigos próximos não poupa e não é poupado de controvérsias. Apesar de se mostrar absolutamente dócil em seu habitat natural e com amigos próximos, demonstra dureza e força em suas palavras, faladas e escritas. De suas formas estreitas de relacionamento surge seu último livro: A literatura é o único delírio possível, publicada pela Apaloosa Books. Obra poética sobre seus amores, notavelmente marcada pelo ritmo do Blues, e o típico livro em que você o devora ou é devorado.

           Eric se levanta e coloca Belchior para tocar em um pequeno rádio USB pendurado na varanda. Após um par de horas com ele fica claro que o tabaco, o álcool e seus affaires não são apenas hábitos, mas moldam sua vida e seu caráter, são extensão de seu corpo e mente. Os excessos são marcas claras de uma vida curta, porém vivida aos extremos, em ruas, camas, galos, noites e quintais.

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Fotografia de Vitória Dantas
@vitoriadnts

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