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Peyote

Peyote: Poder analgésico e meditativo do cacto mexicano

Peyote? Mas que merda é essa?

O nome “Peyote” se dá ao cacto (Lophophora williamsii) que cresce descontroladamente no deserto de Chihuahua (México), e ocorre vez ou outra em território estadounidense (Texas) onde há assentamento de calcário. O Peyote cresce em grupos de cactos espalhados pelo chão, podem haver variações de azul, verde e amarelo neste cacto. Não possui espinhos – isso mesmo, além de ser meditativo é um cacto sem espinhos, e sim “pelos” (espinhos reduzidos) amarelo-esbranquiçados que não costumam ferir a pele.

A mescalina

Existem algumas substâncias psicoativas no Peyote, como a loforina, anhalonina e o componente principal, a mescalina que pode produzir uma ampla gama de efeitos, incluindo uma visão profunda do seu lado espiritual.

A mescalina (3,4,5-trimetoxifeniletilamina), substância pertencente à família das feniletilaminas, é o mais antigo composto químico psicodélico já isolado e sintetizado pelo homem. Arthur Heffter, um químico farmacologista alemão, descobriu, testou e sintetizou mescalina 50 anos antes de Albert Hofmann descobrir o LSD.

Peyote

Um pouco de história

Desde os tempos antigos, com sua natureza árida e desértica, o Peyote foi utilizado em rituais religiosos e curandeiros Teotecas desde o ano 1000 a. C.; também foi largamente utilizado pelos Astecas como conexão com o mundo dos deuses. Até hoje é considerado pela descendência dos povos mexicas, índios huichols e pela NAC – Native American Church, um amuleto de emanação de divindades, um protetor espiritual.

Cada um dos botões (como são chamadas as fatias do Peyote) “se conecta para formar um conjunto”, esses botões são colhidos e secos para uso posterior. Pode-se consumir seco, mastigar ou ingerido na forma de infusão.

O povo mexica, principalmente residentes das áreas desérticas, continuam a utilizar o Peyote para propriedades analgésicas. É muito utilizado também para amenizar a dor do parto ou para o tratamento de algumas infecções na pele.

Os efeitos psicoativos se iniciam uma hora após a ingestão e duram aproximadamente 10 horas. Os efeitos consistem em distorções visuais, auditivas, táteis, olfativas, seguidas de uma percepção distorcida de espaço, sensação de leve formigamento nos membros inferiores, taquicardia e agitação extrema. Na reta final de seu efeito, o Peyote proporciona o que os povos antigos chamavam de “emanação de divindades”. Um estado meditativo e transcendental, permitindo a sinestesia corpórea e a sensação de viagem astral, explorando o espaço a sua volta sem de fato ocupa-lo.

Peyote

Estudos feitos a partir do século XIX apontam que o Peyote não causa dependência crônica, nem crise de abstinência; além disso, este cacto possui propriedades contra a cegueira, febre e alcoolismo; podendo também ser utilizado para tratamento de problemas respiratórios, problemas cardíacos, surtos histéricos e infecções bacterianas, segundo a bióloga Mariana Araguaia.

Redação Psicodelizando