Psicodelizando
Noz moscada

Noz Moscada alucinógeno?

A noz moscada

Seja em doces ou receitas salgadas, com certeza você já ouviu falar em noz moscada. Esta semente, proveniente da moscadeira (Myristica fragrans), árvore nativa da Indonésia e amplamente difundida pelo mundo (principalmente na Índia, como especiaria). A parte que consumimos como especiaria é a noz (endocarpo seco naturalmente) ralada ou quebrada.

O uso da noz moscada data do século VI d. C, sendo apropriada pelos árabes e introduzida na Europa no século XII d. C. No início do século XIX, ganhou outra função: o uso medicinal, como agente abortivo e estimulante para menstruação.

Dentre os princípios ativos da noz (safrol, borneol, canfeno, eugenol, geraniol, linalol, pineno…) destaca-se um capaz de produzir efeitos ansiogênicos no sistema nervoso central (SNC), a miristicina.

Noz Moscada

 

A miristicina

Isolada pela primeira vez no ano de 1903, a partir da noz moscada, a miristicina foi alvo de grande supressão científica (e até hoje é, dificilmente encontra-se artigos sobre) devido sua capacidade de tornar-se, dentro do organismo humano, um tipo de anfetamina.

Em altas doses (cerca de 2 mg por kg) provoca o efeito psicoestimulante, excitação aguda, alucinações visuais, distorções de cores, fuga da realidade, náusea, confusão mental e, próximo a 15 mg por kg, pode provocar despersonalização e overdose.

Há registros, datados do século XIII, na Europa, onde a noz moscada era indicada para casos de depressão e disfunção erétil crônica, provando assim, há muito seu poder estimulante e psicotrópico.

Além da sua capacidade lisérgica (que muito se assemelha ao ecstasy), foi comprovado recentemente que, a miristicina e o safrol (outra substância presente na noz moscada) é um importante protetor hepático.

Influência sobre o SNC e comparativo com o THC

Uma grande fragilidade, tratando-se da capacidade de influenciar o SNC, está na falta de informações. Em 2009, um artigo publicado no Science Direct, explorou essa fragilidade com um ensaio sobre os efeitos psicotrópicos e farmacológicos da noz moscada em ratos aproveitando para fazer um comparativo com os efeitos do THC, anfetaminas e morfina. Os resultados mostraram que a miristicina, se comparado a morfina e anfetaminas (outras), estimula até 15% mais o cérebro.

Conclusão

A noz moscada é sim alucinógena e psicotrópica, porém, a mitisticina é um tóxico do sistema nervoso central. Portanto seu uso não é recomendado sem a supervisão ou conhecimento prévio. Em busca de redução de danos, leia e conheça nossa aba.

Referências Bibliográficas:

Guerrero, T. C. (2013). Tóxicos naturales de origen vegetal. Toxicología de los alimentos, 74.

Tavares, A. C., Zuzarte, M. R., & Salgueiro, L. R. (2010). Plantas aromáticas e medicinais: escola médica do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra.

Morita, T., Jinno, K., Kawagishi, H., Arimoto, Y., Suganuma, H., Inakuma, T., Sugiyama, K., 2003. Hepatoprotective effect of myristicin from nutmeg (Myristica fragrans) on lipopolysaccharide/D-galactosamine-induced liver injury. Journal of Agricultural and Food Chemistry 51, 1560–1565.

Beck, T., Marty, H., 2001. Die Nervenkekse der Hildgard von Bingenkeine harmlose Nascherei. Schweiz Med Forum 51/52, 1287–1288.

Hugo Pitta

Paulistano da gema, foi criado no fundão da Zona Leste de SP (#DoItaimProMundo). Desde cedo envolvido com a arte da vida, descobriu-se atleta de taekwondo, fotógrafo, amante da natureza e viajante-gaiato entre as fronteiras deste mundão! Graduando em Ciências Biológicas e funcionário público, tenta conciliar a vida corrida com a gerência da equipe de redação do site.