Psicodelizando
Estrada pra lugar nenhum

Estrada pra lugar nenhum

Pela internet, uma vida de mochileiro parece invejável. Estrada pra lugar nenhum. Montanhas, praias, festas e sorrisos. Não pega bem parecer triste na minha vida.

Se me perguntarem, por que de viver assim? Digo que é meu modo de vida, uma forma de ser livre. Sou um “Nômade contemporâneo”. Cada dia em um lugar, com pessoas diferentes, festas, bebidas, conversas, paixões e romances sem fim. Ah, como queria que tudo fosse apenas fim e os meios um piscar de olhos. Não vou negar que o aprendizado é maravilhoso, mas tudo isso é melhor quando temos para onde voltar.

Formado, em um país em crise, promovido de estudante à desempregado. O aluguel já não é mais pago. Vivo como a maioria dos meus, de sofás em sofás, em sub-empregos que na maioria das vezes não fazem jus ao meu pequeno canudo de bacharel. A casa dos meus pais, permanece por mim; mas não é minha; cresci, envelheci, fiquei sistemático. Tenho minha forma de viver, de falar, de ser. Tenho minha forma de amar e de curtir e hábitos de escrever bebendo e fumando no quarto fechado. Mas a casa não é minha e escrever na varanda não é a mesma coisa.

Amo viajar. Passei minha juventude lendo a Beat Generation e ouvindo estradeiros como Dylan e Belchior. Mas nos últimos meses não faço por tesão, faço por tédio. Não viajo, apenas vago, e penso que todos eles o fizeram por tédio também. Uma aventura em busca de um sentido maior; romantizei o caos e a solidão.

Tento me sentir como meus ídolos e assim fica mais fácil viver nesse mundo em chamas. Todo lugar que chego, fico ansioso pelo próximo a chegar, sempre na vã e na vil esperança de que por lá vou encontrar um pedaço de chão pra chamar de meu.

Sou o futuro do pretérito da história. Sou um rapaz, latino americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior. Sou cada vez mais como meus antepassados, viajando légua tirana, em busca de uma terra prometida que só existe na crendice popular.

 

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Pedro Biaso