Psicodelizando
Enteogenia sem dogmas

Enteogenia sem dogmas: a consciência individual

A Enteogenia sem dogmas

Olá leitor! Este artigo é a primeira publicação de uma série que está por vir sobre os Enteógenos, visto de uma forma não dogmática, não autoritária. Ou seja, Enteogenia sem dogmas.

Nossos encontros irão se resumir ao mergulho nas profundezas das Plantas (e fungos) de Poder e suas qualidades e propriedades medicinais, sejam elas físicas, sejam elas mentais ou espirituais.

Quando falamos de enteogenia não dogmática e espiritualidade, o entendimento não é sobre não acreditar em alguma divindade, e sim quando não pregamos uma religião X ou estilo de vida Y como ponto principal ou crucial de estudo.  A enteogenia está ligada com o autoconhecimento, e como chegar até a nossa reverência sem nos conhecer?

Se procurarmos na internet o significado da palavra “Enteógeno”, o primeiro entendimento que irá aparecer é: “A palavra “enteógeno”, que significa, literalmente, “manifestação interior do divino“, deriva duma palavra grega obsoleta da mesma raiz da palavra “entusiasmo”, e se refere à comunhão religiosa sob efeito de substâncias visionárias, ataques de profecia e paixão erótica.”

De uma forma geral, a enteogenia sem dogmas coloca seus usuários em contato com seu próprio “Deus interior”, em outras palavras, a consciência, pois ninguém melhor que ela pra apontar o que temos que mudar, eliminar, acrescentar e esculpir em nossas vidas.  Existem várias denominações dadas às plantas alteradoras de consciência, que são até hoje amplamente utilizadas em rituais religiosos em várias partes do mundo. Essas plantas são consumidas por diferentes culturas e em diferentes épocas históricas.

Incontáveis povos antigos e também atuais utilizavam e utilizam essas plantas para diversos fins, tais como adivinhação, contato com os mortos, profecias, clarividência, dissolução de ego, autoconhecimento, rito de passagem de idade, rito antes de batalhas, entre outros. No lado medicinal orgânico, ou seja, no físico, poucos estudos científicos existem comprovando benefícios físicos, porém a quantidade de pessoas que relatam cura é esmagadora diante de argumentos que dizem que estas substâncias podem causar “problemas”. Mas tanto não temos estudos a favor disso, quanto pouco se sabe também sobre os possíveis “males”.

Portanto o uso de uma substância assim se diz mais sobre o que a pessoa que o utiliza acredita e é de acordo com sua experiência, lembrando-se da importância da contextualização, seja ela qual for, um bom set and setting faz a diferença.

 

Vastidão de conhecimento

Planta de poder, enteógeno, psicodélico, psicoativo… Vários nomes foram atribuídos em diferentes épocas e diferentes contextos históricos dos estudos desse assunto, não chegando à enteogenia sem dogmas. Na introdução do livro “O uso ritual das plantas de poder” de Sandra Goulart, Beatriz Labate e Henrique Carneiro, temos o aprendizado da proposta de cada termo.

E dentro desses termos são conhecidas diversas plantas e fungos, sementes e flores que contém diferentes propriedades psicoativas, algumas consideradas alucinógenas (como LSD), outras têm efeito mais onirofrênico, algumas são conhecidas por suas propriedades que podem contribuir para a cura contra o vício e abuso de drogas e até mesmo a melhora da visão, como a Iboga, outras são conhecidas por trazerem de volta a alegria aos depressivos, como o DMT, que contém na Ayahuasca e Anahuasca (análogo) e a Psilocibina, dos bastante difundidos “cogumelos mágicos”, e mais, algumas são conhecidas pelo estado de transe e sensação de “estar em um sonho” como o LSA, substância que contém em algumas flores e sementes. Fora estes que foram citados, há muitos outras plantas que são consideradas professoras da vida, as vezes até guardiãs de portais para” dimensões” de alta frequência, onde relata-se haver divindades, comunhão com a natureza, sensação de unir-se ao todo.

 

E nos bastidores da Enteogenia sem dogmas…

Por participarem de uma vasta variedade, não podemos nos prender a um consenso de qual é “certa” e qual é “errada”, muitos consideram o LSD e a Cannabis como drogas degenerativas, mas lembramos de que o interesse na proibição não é nem pouco sobre a preocupação da saúde da população, isto é, não é relacionada com potencial de suposto dano e sim uma proibição moral. Será por quê? rs

Neste link podemos assistir um pequeno documentário sobre “Dirijo”. Este nome é familiar? Não? Pois o “Dirijo” nada mais é que a Maconha antes da proibição. E deixo no, ar uma pequena frase que contém nesse documentário que pode ecoar em vossas cabeças:

“Disseram que não prestava. Daí a cachaça ficou no lugar.”

Logo, ficam os questionamentos sobre vários assuntos que ultimamente têm sido bastante falados em fóruns e na vida real também, tais como, porque drogas(“remédios”) que têm mais efeitos colaterais do que curativos são abertamente vendidas, quando estas são apenas tratamentos paliativos aos sintomas, e nunca a raiz do problema.

Enteogenia Sem Dogmas