Psicodelizando
efeito do lsd

Ciência descobre o efeito do LSD no cérebro humano

Nova pesquisa publicada na revista Scientific Reports traz avanços sobre efeito do LSD.  A droga resultou no “surgimento de novo tipo de ordem cerebral”. 

Estudo de neuroimagem ilustra harmonia no efeito do LSD em cérebros humanos 

Nova pesquisa publicada na revista Scientific Reports traz avanços sobre efeito do LSD.  A droga resultou no “surgimento de novo tipo de ordem cerebral”. 

O estudo utilizou um novo método matemático para analisar a atividade do cérebro, conhecida como decomposição harmônica de um conectoma. O conectoma é o diagrama das sinapses e atividades cerebrais, uma estrutura gráfica que expõe os caminhos, por assim dizer, dos neurônios no cérebro. Está análise do conectoma serviria para examinar como o efeito do LSD causou alterações na consciência e quais são seus gatilhos e caminhos. 

“Eu sou geralmente interessado em novas ferramentas terapêuticas que podem ajudar com a cura de distúrbios psiquiátricos, especialmente a cura de um trauma. Eu sinto que, como as sociedades ocidentais, em geral, tendem a rotular e marginalizar a doença mental, em vez de vê-lo como uma reação normal ao extremo e circunstâncias anormais”, disse Atasoy Selen, um Pós-doutorado e pesquisador no Centro de pesquisas Brain & Cognition da Universitat Pompeu Fabra e principal autor do estudo. 

“Isso, na minha opinião, torna a recuperação de um paciente de trauma ainda mais difícil” 

“Como o Dr. Gabor Mate bem explica, o trauma não é causado pela própria experiência extremamente dolorosa mas a dissociação da parte de nós mesmos que tiveram de suportar essa experiência. Quando me deparei com os estudos sobre psicodélicos, foi muito marcante para mim, ver como os pacientes sob o efeito de drogas psicodélicas foram capazes de recuperar e integrar suas experiências mais traumáticas e como isto as levou a um poderoso processo de cura”, completou. 

É provavelmente devido a este efeito que uma fonte natural, a Ayahuasca, é considerada uma bebiba muito poderosa em várias culturas indígenas, e tem sido utilizado em cerimonias de cura xamânica durante séculos. Por outro lado, a neurociência tem hoje uma outra ferramenta muito poderosa: as tecnologias de imagem como a ressonância magnética funcional (RMf) e a eletroencefalografia magnética (EEM) que nos permitem visualizar a atividade do cérebro de uma pessoa. 

Durante o estudo os pesquisadores analisaram dados da RMf de 12 voluntários cuja atividade cerebral fora gravada enquanto eles estavam sob a influência de LSD ou placebo. Aplicaram então uma nova análise harmônica, a decodificação de dados de RMf que analisa a atividade neural de uma maneira nova: como uma combinação de ondas harmônicas no cérebro, os tais conectomas harmônicos.  Estes são usados para decodificar a atividade cerebral, metodologia que foi introduzida pela primeira vez em uma publicação em 2016, onde constatou-se que ondas harmônicas são universais, tais como ondas de som surgindo dentro de um instrumento musical, mas adaptadas à anatomia do cérebro, isto é, para a fisiologia humana. 

Traduzir a RMf para dados harmônicos é parecido com a decomposição de uma complexa peça musical em suas variadas notas. O conectoma mostrou que o efeito do LSD não só aumenta a energia total do cérebro, mas também enriquece o repertório de sinapses cerebrais – os elementos básicos da linguagem harmônica. 

“Neste repertório a expansão não ocorreu de forma aleatória, mas foi bem estruturado, o que sugere uma reorganização da dinâmica do cérebro e o surgimento de um novo tipo de ordem cerebral. Também descobrimos que o LSD ativa seletivamente sinapses de alta freqüência, justamente a parte que regula o equilíbrio entre ordem e caos. Em resumo, verificou-se que o LSD faz com seu cérebro o que pode ser comparado à improvisação no jazz. Seu cérebro passa a completar um número maior de sinapses, aumentando o conectoma cerebral de uma forma totalmente organizada e nova!” 

“Além disso, seria de grande interesse para explorar como e por que essas mudanças na atividade cerebral referem-se a uma experiência subjetiva da pessoa, tais como mudanças de humor sob o efeito de drogas. Embora esta é, sim, uma pesquisa a longo prazo, trata-se de uma importância crucial, pois pode dar-nos uma melhor compreensão das raízes dos chamados psicodélicos de efeito terapêutico.” 

Atasoy fala mais sobre os avanços do campo de terapia com base em substâncias psicodélicas na Psychedelic Science Conference (2017), veja: 

 

Hugo Pitta

Paulistano da gema, foi criado no fundão da Zona Leste de SP (#DoItaimProMundo). Desde cedo envolvido com a arte da vida, descobriu-se atleta de taekwondo, fotógrafo, amante da natureza e viajante-gaiato entre as fronteiras deste mundão! Graduando em Ciências Biológicas e funcionário público, tenta conciliar a vida corrida com a gerência da equipe de redação do site.